O que esperar de 2008 afinal?

O ano começa e caminha rumo à normalidade, rumo à rotina de mais um período de dias de trabalho e esforço por parte de todos os profissionais do mercado veterinário.Recomeçam as rotinas clínicas, as visitas técnicas, os congressos, as reuniões das entidades de classe, as vendas nas distribuidoras, os atendimentos domiciliares, as cirurgias, as aulas nas faculdades de todo o país...enfim começa o ano veterinário de 2008.
Mas será que ele tem que ser igual a tudo o que passou? Será que precisamos seguir a letra da canção...” todo dia ela faz tudo sempre igual..”?
Em um ano onde se espera o melhor e a mudança, será que não seria hora de perceber que a mudança está em nosso dia a dia? Em nossas atitudes? No conjunto de nossas posturas?
Por todo o ano de 2007 tive a oportunidade de conversar com profissionais de todos os segmentos do mercado pet, em várias cidades de vários estados do país, do norte ao extremo sul, passando pelo nordeste e pelo centro-oeste; e pude fazer um levantamento de muitas situações que foram o foco de grandes discussões, e outros que sequer eram levados em consideração pela classe veterinária e pelo mercado pet como um todo, apesar de serem , em muitas situações CRUCIAIS, FUNDAMENTAIS E DECISIVOS para toda e qualquer mudança que se desejasse, ou que fosse realmente necessário para atender a tantas reclamações, a tantas lamúrias e a tanta indiferença quase criminosa de muitos que se dizem profissionais, mas que cometem atos que beiram a negligência, a imprudência e a imperícia.
Será que em 2008 ainda teremos que ver colegas veterinários fazendo cirurgias em cima de sacos de ração cobertos por uma toalha de papel? Quando não o fazem direto em cima de sacos de ração? Será que ainda teremos que ver colegas atendendo de graça aos sábados em mesinhas enferrujadas em locais escuros no fundo de lojas sujas?
Será que ainda veremos a abertura de mais uma faculdade de Medicina Veterinária em, uma cidade do interior financiada pelo dinheiro sabe lá de que setor da economia ( formal ou não...) sem a menor condição de formar profissionais que sejam capazes de honrar o título que um dia pretendem ostentar?
Será que ainda veremos estabelecimentos veterinários sem a menor condição de higiene funcionando pelo Brasil afora?
Será que em 2008 o mercado pet ainda será apontado como o eldorado do mercado de serviços? Como uma grande fonte geradora de riquezas para todo e qualquer investidor, seja ele do ramo que for, que se decida por este mercado?
Será que ainda veremos a inércia de muitas entidades de classe interessadas em apenas perpetuar um teatro de tristes personagens burlescas em um pretenso cenário de poder e imagem?
Será que a ética ainda será considerada em 2008 uma atitude de idiotas e inocentes úteis? Será que fazer o certo será ainda punido pela onda de oportunismo ainda baseado na antiga e tão viva “Lei de Gerson”?
Será que ainda fecharemos os olhos para os erros do mercado pet? Será que ainda vamos desrespeitar colegas de diferentes áreas, como os colegas da indústria, por não serem da sua própria especialidade?
Será que ainda veremos médicos veterinários que não ajustam suas rotinas às necessidades do mercado consumidor de seus próprios serviços?
Será que veremos “idéias espetaculares” como a Veterinária Popular surgindo no mercado?
Será que ainda teremos veterinários atendendo em veículos de comunicação, dando receitas sem sequer ver os animais em questão, se achando super médiuns da profissão?
Será que teremos tosadores ainda clinicando em salões de banho e tosa, experts em dermatologia e vacinando com a cobertura criminosa de colegas que lhes repassam vacinas de uso exclusivo?
Será que ainda teremos que conviver com a realidade de uma carga tributária aviltante?
Será que ainda esqueceremos que todos temos uma carreira e não apenas uma profissão?
Será que ainda teremos relações de trabalho sem a menor preocupação com a ética, legalidade e preservação dos direitos dos profissionais e empreendedores do mercado pet?
Será que ainda nos calaremos diante do exercício ilegal da profissão?
Será que ainda fugiremos do estudo, da educação continuada e do aperfeiçoamento profissional com as mais deslavadas desculpas?
Será que ainda vamos deixar que as coisas continuem assim?
São muitas perguntas, e muitas delas bem incômodas, outras petulantes e impertinentes como costumam denominar os antigos baluartes da profissão, mas todas necessárias e capazes de gerar aquele sentimento de que algo precisa ser feito para que as mudanças comecem a acontecer...
Mas por onde começar?
Espero que se incomodando com este primeiro artigo do ano de 2008, que não pretende ser a verdade para ninguém, e pensando bem, fica aqui o conselho de 2008... Não acredite nas verdades absolutas de ninguém, nem nas suas... pois acreditem... as coisas mudam..basta querer.
Feliz 2008 para todos vocês!

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