Mais uma entrevista com quem faz o Mercado Pet ! Dra. Rebecca Dung! Médica Veterinária Especialista em Biossegurança e Gestão Técnica Aplicada ao Mercado Pet


1 - Rebecca, como você vê o mercado pet nos dias de hoje quando você pensa em Biossegurança ?

Vejo um mercado em pleno desenvolvimento. Porém, é um desenvolvimento bastante lento. Muitos estabelecimentos luxuosos, contrastando com estabelecimentos de venda mista. Não há uma definição clara do que vem a ser um petshop. Mas uma coisa existe em comum em todos os estabelecimentos: mão de obra muito pouco qualificada.



2 - Como você acha que os proprietários de estabelecimentos pet podem entender a Prevenção de Riscos como algo importante para o sucesso empresarial?



Bem, infelizmente, ainda hoje é preciso acontecer um acidente (seja com o animal atendido, seja com um funcionário), para que o empresário resolva tomar atitudes preventivas. Ambos os acidentes geram prejuízos econômicos imensos. Desde um cliente que não retorna mais ao estabelecimento e pode inclusive acionar o mesmo na justiça, até um funcionário que entra na justiça do trabalho requerendo indenização por danos materiais e/ou morais.



3 - Qual seu maior desafio dentro de um estabelecimento pet quando você atua como RT?


Primeiro, fazer o proprietário do estabelecimento entender que estou ali para somar, indicando os pontos críticos, e não para ser uma personagem figurante que ele necessita legalmente. Minha maior dificuldade é fazê-lo sair da inércia, querer mudar para melhor, agir, tomar atitudes para o benefício de seu negócio.



4 - Como um médico veterinário deveria encarar a questão da Prevenção de Acidentes dentro de seu estabelecimento de trabalho e com ele mesmo?


Em nossa formação profissional (graduação), nós não aprendemos a nos proteger de riscos. Aliás, não sabemos nem que riscos são esses aos quais nos expomos no dia a dia de trabalho. Por isso entendo que é difícil para um médico veterinário a se prevenir de riscos.

Acredito que a única maneira de modificarmos esta cultura seria alterando a grade curricular do curso de Medicina veterinária, dando ênfase para Saúde no Trabalho e Controle de Infecção Hospitalar.



5 - Você acredita em mudanças a curto prazo na mentalidade do empresariado pet brasileiro?

Não acredito. Somos andorinhas. Viajamos pelo Brasil com nossos cursos, mas à curto prazo isto é muito pouco. Me enche de felicidade ver lojistas, colegas veterinários e profissionais de higiene e estética animal vindo aos cursos e participando ativamente dos mesmos, como aconteceu por último em nosso seminário de lojistas, na PetSouth America. Isso nos enche de esperança pois é crescente a procura por temas de tamanha importância.



6 - O que você espera que aconteça nos próximos 5 anos no mercado pet quando você pensa em sua área de atuação?


Espero que o assunto Saúde no Trabalho e Prevenção de Acidentes seja considerado tão importante e presente nos Congressos, Workshops e Cursos, como assuntos de higiene e estética, como assuntos de clínica médica ou marketing e finanças.

Precisamos trabalhar juntos para um crescimento equilibrado.

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