Carta ao CFMV....pois essa é minha visão..é o que eu acredito..fazendo!



Rio de Janeiro, 21 de Janeiro de 2013

Ex. Sr. Presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária
Sr. Benedito Fortes de Arruda

Conforme me foi orientado por email enviado pelo CFMV venho retomar o contato diretamente como o nobre colega Presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária para poder explanar minhas preocupações e pedir sempre a orientação do mesmo no posicionamento profissional perante a toda uma classe, visto que atuo em todo o território nacional no meu segmento específico.

O tema em questão que me motiva a escrever pela primeira vez para o CFMV  é a Responsabilidade Técnica no Segmento de Pequenos Animais, tema no qual sou autor do único livro do segmento no Brasil, no qual milito diariamente nos últimos 10 anos de minha formação profissional sendo criticado e agredido por lojistas, proprietários de estabelecimentos pet e até mesmo colegas que denigrem e depreciam o trabalho do(a) médico(a) veterinário(a) que atuam no segmento com colocações que beiram as raias de processos éticos e até mesmo  nas esferas cíveis e criminais.

Responsabilidade: “do ato de ser responsável, responder legal e/ou moralmente por seus atos, pelo bem estar e pelos seus compromissos”.
Técnico: “...perito, expert, conhecedor, sábio, especialista”.

O RT é o profissional que possui o conhecimento técnico, utilizando-o para dar ao consumidor a qualidade do produto final ou do serviço prestado de maneira ética e técnica, embasado por instrumentos legais.
 Responde civil e penalmente por eventuais danos que possam ocorrer ao consumidor decorrentes de sua conduta profissional, uma vez caracterizada sua culpa, seja por negligência, imprudência, imperícia ou até mesmo omissão.

Em última análise, ser o RT é, acima de tudo, ser um gestor, um coordenador do estabelecimento veterinário em vários momentos-verdade, em várias situações na qual a presença de um profissional qualificado garantirá a qualidade dos processos, produtos e serviços oferecidos para a sociedade como um todo dentro do estabelecimento certificado por este profissional.
Infelizmente para muitos, a presença do RT é ainda uma imposição dos órgãos fiscalizadores , um absurdo impositivo, e um tipo de relação extremamente prostituída por ambas as partes da mesma, onde um finge que vai e o outro finge que paga...

Cria-se então uma concepção equivocada, alimentada por esses hábitos e pensamentos descritos acima, de que o RT seria apenas um mal necessário, cuja assinatura significa a possibilidade da abertura do negócio...mas a sua presença não seria tão indispensável assim, gerando situações absurdas como colegas que assinam por valores irrisórios, que trocam suas ARTs por pagamento de suas anuidades e até mesmo por cestas básicas, ou pior, comentem grave infração do código de ética ao trocarem suas ARTs por plantões clínicos concomitantes no mesmo horário, o que constitui infração sujeita à penalidades impostas pelo CRMV onde atua.

E notório que o próprio Médico Veterinário desconhece o que é ser Responsável Técnico, e ao entrarmos no mercado de trabalho somos cobrados por todos os lados, por várias esferas fiscalizatórias como Visa, Mapa, Código de Defesa do Consumidor, Ministério do Trabalho e nossos próprios Conselhos.
Tenho visto em alguns estados a exigência da figura do Co-Responsável Técnico quando sequer se sabe ainda as obrigações PRÁTICAS e DIÁRIAS de um RT em uma clínica, consultório, hospital veterinário ou centro especializado.

O problema começa nas universidades onde a expressão Responsabilidade Técnica jamais é explicada e oferecida como uma alternativa profissional aos acadêmicos da área de pequenos animais, quando os programas de formação o fazem logo os direcionam para a área de alimentos.
Tenho certeza de que esse momento é crucial para nosso CFMV que tem nas mãos a chance de em uma atitude de vanguarda e inovação ao poder mostrar ao mercado consumidor de nossos serviços na área de pequenos animais, inundado por um mar de casos de maus tratos, acidentes, corrupção, descaso, falta de zelo, desvio de medicamentos, irregularidades e erros de gestão e postura profissional; que temos a resposta na figura do responsável Técnico.

Mas imploro ao colega e aos conselheiros que não usem a expressão RT como uma figura decorativa, uma figura sem conhecimento adequado, arcaica, sem importância e meramente protocolar.
Proponho que a Responsabilidade Técnica na Área de Pequenos Animais seja vista como uma especialidade altamente importante, com foco na gestão administrativa e hospitalar de nossos estabelecimentos, visto que o tempo inteiro somos requisitados a atender demandas como cumprimentos de normas de controle de medicamentos, controle das normas de biossegurança como questões radiológicas e controle de zoonoses, atendimento às NR do Ministério do Trabalho em especial a NR32, devemos ainda ter todo um controle no padrão de qualidade dos procedimentos exclusivos dos clínicos veterinários que fazem parte do corpo de plantonistas garantindo um padrão mínimo de atendimento de excelência, determinar processos de controle de qualidade do ambiente exigidos por vários órgãos como limpeza urbana, meio ambiente e secretarias estaduais e municipais (visto decretos específicos regionais).

Somos mais do que uma figura decorativa e devemos saber muito mais do que apenas “verificar data de validade de medicamento” (sendo que se até nesse simples ato falharmos seremos punidos pelos órgãos fiscalizatórios!)
Estamos em uma época onde novos formatos veterinários surgem em uma velocidade maior do que a criação de novas resoluções e normativas, e ainda em um tempo onde nossos consumidores adquirem um poder nunca antes visto em nossa sociedade de consumo midiática e com novos níveis de exigência.

O profissional que assumir a Moderna Responsabilidade Técnica na área de Pequenos Animais deverá ter um perfil de controller, de administrador, de gestor, atuando como um auditor de qualidade de processos e de pessoas, garantindo a oferta de uma imagem cada vez mais profissional da Medicina Veterinária.

Deverá gerenciar relações com os clientes, deverá ser capaz de coordenar equipes profissionais multidisciplinares e ainda atender a todos os órgãos fiscalizatórios e suas demandas legais-operacionais.

Mas é frustrante ver que em vários textos de resoluções que norteiam o nosso segmento, é clara e notória a confusão entre ser clínico de um estabelecimento e ser RT em um estabelecimento, onde a mescla inconsequente, negligente e imprudente das funções só tem gerado um cenário de total descaso e desmerecimento de profissionais que poderiam ter um valor muito maior dentro de equipes de trabalho e perante aos milhares de estabelecimentos que necessitam de nossa mão de obra e rechaçam até mesmo juridicamente (e com vários casos de ganho na justiça) a presença do RT dentro de suas equipes de trabalho.

Venho encarecidamente por meio deste email pedir que algum grupo de estudo do CFMV possa entender essa proposta do RT sendo um gestor, um diretor clínico e não um “tapa-buraco-estatutário” pois é inacreditável viajar por esse país de norte a sul e ver as irregularidades grassando em níveis alarmantes, o descaso com o cuidado dos estabelecimentos veterinários, o total desconhecimento de legislações básicas e da lógica na higiene e prevenção do bem estar de clientes, pacientes e funcionários do mercado veterinário de pequeno animais no Brasil.

Eu, Sergio Ricardo Sacramento Lobato, Médico Veterinário, CRMV-RJ 4476, faço a minha parte e coloco-me à disposição para maiores esclarecimentos que se façam necessários sobre o tema.
Atenciosamente

Sergio Lobato



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Parabens pela iniciativa.

Meu nome é Ricardo Lanner Silveira, sou Médico Veterinário recém formado e estou cursando uma pós graduação em Marketing e tenho como missão também modificar o mundo veterinário, através da nossa união, profissionalização e valorização. Abraço

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